
Leandro Megeto. “Tudo começou numa manhã do domingo, 17 de outubro de 1993, dia da minha 1º Comunhão. Nascido num lar cristão fui educado nos princípios do Evangelho, entretanto, minha família não participava da vida da Igreja. Quase não me lembro das vezes em que coloquei os meus pés numa igreja quando criança. Deus teria todos os motivos para não me escolher, mas os seus pensamentos não são os nossos pensamentos. (cf. Is 55, 8-9).Lembro-me de, aos 8 anos de idade, ter ido à missa, uma vez, com o meu pai para agradecer o sucesso da cirurgia de meu irmão. Para mim foi uma sensação muito boa. De outra vez, acompanhei um amigo de escola, à catequese de preparação para a 1ª Eucaristia da Paróquia Nova Jerusalém. Continuei a ir e logo pedi à catequista um livrinho para acompanhar os encontros. Na semana seguinte, ela me trouxe o livro e me disse ter falado com o padre (trata-se de Pe.Marcílio), e que ele havia me autorizado a fazer parte daquele grupo de catequizandos. Daquele dia em diante, nunca mais deixei a igreja. Ao final de um ano, fiz, feliz, minha 1ª Comunhão.O interessante é que os meus pais nunca desconfiaram que todas as quartas-feiras, eu saía de casa, pela manhã, para ir à igreja. Sempre acharam que estava na casa de alguém. Até que um dia eu precisei contar, pois tinha que pagar a roupa da 1ª Comunhão. Lembro-me bem das palavras de minha catequista: Quando você receber o Corpo de Cristo, volte para o seu lugar e reze, pois daquele momento em diante Deus transformará a sua vida. Após a comunhão, fiz conforme ela me orientou, mas não podia imaginar e nem compreender o que aconteceria depois. Com toda a certeza essas foram palavras proféticas. Na Igreja, a figura do sacerdote despertava em mim uma inquietação interior. Ainda não sabia que se tratava de um aceno divino. Fui aos poucos descobrindo que Deus me chamara para ser padre. Como ardia em meu coração tal desejo, comecei a participar das atividades pastorais: catequese, liturgia, arrumação da igreja, acólito, serviço aos pobres no almoço oferecido pela pastoral social, entre outras atividades. Foram anos maravilhosos em que pude experimentar concretamente o amor de Deus em minha vida. Porém, foram anos de provações também. Como a minha família não participava da igreja, muitas vezes era difícil para eles me compreenderem. Por muitas vezes era impedido de ir aos encontros e reuniões na comunidade. Mas Deus estava conduzindo a minha história e tinha toda uma comunidade que me apoiava e rezava por mim. Aos poucos, os meus pais foram entendendo a grandeza do chamado divino em minha vida e foram percebendo que as forças humanas são um nada diante da vontade de Deus.Após terminar o Ensino Médio, depois de trabalhar e namorar, resolvi entrar para o Seminário. No dia 28 de janeiro de 2003, após um ano de preparação, fui convidado a ingressar, iniciando o curso de Filosofia e depois, o de Teologia, tudo concluindo, com satisfação, em 2008. O período de seis anos no Seminário foi decisivo em minha vida. Foi lá que experimentei profundamente o amor misericordioso de Deus, creci na fé e na vocação. Agora, mais uma vez, Deus mostra que eu necessito estar junto dele. Chama-me, por graça e misericórdia, a ser diácono. Preparando-me para a ordenação, trago no coração aquelas palavras de minha catequista: ´Deus transformará a sua vida´. Ele transformou, transforma diariamente e transformará todos os dias de minha existência. Se você jovem sente-se atraído por Cristo, não tenha medo,coragem, levanta-te, Ele te chama Márcio Odair Ramos, "Nasci em Jundiaí, num berço humilde, sou o oitavo filho do casal José e Antonia, simples lavradores vindos do sul do País à esta cidade, à procura de melhores condições de vida. Desde tenra idade, minha mãe me ensinou as piedosas orações à Santíssima Trindade, à Virgem Imaculada, sempre também me levando à Missa numa capela dedicada à Santa Maria Gorett, sendo essa assistida pelos Padres Oblatos de Maria Virgem. Já nos primeiros anos escolares, dispensava um grande interesse pelos estudos ligados à fé, à Igreja e pelo que me lembro, sempre desejei ansiosamente receber a Eucaristia. Aos dez anos, pelas mãos do Padre Pedro Azzoni, recebi esta Graça.Depois deste marcante momento de minha vida, fui convidado pelo neo-sacerdote Pe. Márcio Pinho, a me tornar um pequeno Acólito, função esta que desempenhei com grande alegria até os meus quatorze anos, quando entrei na catequese da Crisma. Neste período, Pe. Márcio me incentivou vocacionalmente dizendo ver em mim traços de vocação sacerdotal, mas por medo sempre me esquivei. Na verdade, já sentia o chamado de Deus na minha vida, mas precisava ajudar minha família com o pouco que recebia por meus trabalhos.Mas, o Senhor tem seus meios de ´sedução´ que são irrefutáveis, mesmo nesta época, quando de fato fui assumindo mais efetivamente minhas responsabilidades de trabalho, estudo, sempre senti arder em meio peito a voz de Jesus a me chamar. Dava-lhe minha resposta através dos compromissos pastorais na liturgia, no grupo de jovens, nos grupos de Oração; mas, aos poucos, pude perceber que quanto mais me envolvia, tanto mais queria me entregar ao serviço a Deus na Igreja sempre sentindo um desejo e uma necessidade de ser mais generoso na resposta ao chamado que, sabia, Deus me fazia.Orientado pelo Pe. Wilson, procurei o Seminário Diocesano Nossa Senhora do Desterro para discernir minha vida vocacional. Durante todo o ano de 2002, frequentei os encontros vocacionais e, por meio destes, fui descobrindo aquilo que hoje acredito ser minha vocação: Servir a Igreja como presbítero. Durante este período de discernimento vocacional, nenhuma pessoa sabia da minha participação nos encontros vocacionais, nem familiares, nem amigos. Eu tinha claro que era uma decisão importante, e para tanto, tinha de estar livre para responder. Depois de um ano de acompanhamento, recebi por parte dos formadores uma resposta positiva quanto ao meu ingresso no seminário. Reuni, então minha família, os meus amigos e comuniquei a todos a minha decisão de me tornar padre. A surpresa foi geral, mas recebi apoio incondicional de todos.Ingressei no Seminário em 2003, no biênio de Filosofia; em 2005, iniciei os estudos teológicos em São Paulo, quando por graça e misericórdia de Deus, fui enviado, em nome da Igreja, por Dom Gil Antônio Moreira, bispo diocesano, para cursar a Teologia à sombra dos pés de Pedro em Roma, onde permaneci até julho de 2008.Vislumbrando com os olhos da fé história que Deus tem realizado em minha vida, posso dizer que a cada dia, desde o primeiro, aquele ´ardor´ pelas coisas do Senhor me consome, e é esta vontade de estar com Ele, de permanecer no seu Amor e na sua vontade, é que me faz lançar tudo o que sou e tudo o que tenho na sua misericórdia,aceitando com disponibilidade seus projetos para minha vida."